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11 May 2026 · Mila Vernazza

4 modelos em produção, zero observability: como resolvemos

MLflow + Grafana + LangSmith numa stack de data team que operava no escuro

Quando a gente fala de “IA em produção”, a maioria dos times pensa no deploy. Modelo treinado, endpoint no ar, feature liberada — pronto. Mas existe um estado que é talvez o mais perigoso de todos: modelos rodando, gerando predições, e ninguém sabe se estão funcionando direito.

Foi exatamente isso que encontramos num cliente recente.

O cenário: 4 modelos vivos, nenhum monitorado

O time de dados tinha entregado quatro modelos em produção nos últimos 18 meses. Esforço real, trabalho sólido. O problema estava no que veio depois do deploy:

  • Drift detection: inexistente. Nenhuma checagem de distribuição de features ao longo do tempo.
  • Alertas: só disparavam quando o cliente — usuário final ou área de negócio — reclamava de alguma coisa estranha.
  • Rollback strategy: não havia. Um modelo degradado ficava em produção até alguém perceber manualmente.
  • Eval suite contínuo: sem baseline atualizado, sem comparação com versão anterior.
  • Custo por inferência: desconhecido. O billing chegava agregado, sem granularidade por modelo ou por endpoint.

Isso não é descuido do time. É o padrão quando MLOps não foi tratado como parte do projeto desde o início — e quando a pressão por entregar novas features consome o espaço que deveria ir para instrumentação.

O que implementamos

A stack escolhida levou em conta o que o time já usava parcialmente e o que podia ser integrado sem reescrever pipelines inteiros.

MLflow para tracking e model registry

O time já tinha experimentos registrados no MLflow de forma inconsistente — alguns runs com métricas, outros sem. Padronizamos o logging de métricas de eval em todos os modelos, adicionamos tags de versão e criamos um model registry com stages explícitos (Staging, Production, Archived).

Isso sozinho já viabilizou rollback: com versões rastreadas e promovidas formalmente, reverter para uma versão anterior virou uma operação de dois cliques — não um exercício de arqueologia no repositório.

Grafana para observability de runtime

Conectamos as métricas de inferência (latência p50/p95, volume de requests, taxa de erro) ao Grafana via Prometheus. Adicionamos dashboards por modelo, não só por serviço.

O resultado mais imediato: latência caiu 40% — não porque otimizamos o modelo, mas porque identificamos um gargalo de serialização que ninguém havia notado antes. Ele estava escondido nas médias agregadas.

LangSmith para os modelos baseados em LLM

Dois dos quatro modelos usavam LLMs no pipeline. Para esses, LangSmith entrou como camada de tracing — permitindo ver input/output por chamada, identificar onde false-positives em classificações estavam ocorrendo e auditar o comportamento sem precisar reproduzir manualmente cada caso.

False-positives em features críticas passaram de “suspeita difusa” para rastreável e quantificável. Isso mudou a conversa com o time de produto: de “acho que o modelo está errando mais” para “nas últimas 72h, 14% das chamadas com esse padrão de input retornaram label incorreto.”

Custo por inferência

Com tags por modelo no billing da cloud e métricas de volume no Grafana, conseguimos finalmente atribuir custo a cada modelo. Custo por inferência caiu 25% depois que identificamos um modelo sendo chamado redundantemente em dois pontos do pipeline — duplicação que ninguém havia percebido porque não havia visibilidade.

O ponto que times de dados subestimam

Observability não é feature extra. É o que separa um modelo em produção de um modelo gerenciável em produção.

Sem ela, o ciclo é sempre reativo: cliente reclama → engenheiro investiga → solução paliativa → próximo incidente. Com ela, o ciclo pode ser proativo: métrica sai do threshold → alerta dispara → investigação antes do impacto.

A stack não precisa ser complexa. MLflow + Grafana cobre a maioria dos casos de times até 10 pessoas. LangSmith entra quando LLMs fazem parte do pipeline. O importante é instrumentar antes de o problema aparecer — não depois.


Se o seu time tem modelos em produção sem monitoramento estruturado, o primeiro passo é entender onde estão os gaps maiores. Fazemos esse diagnóstico técnico com times de dados de empresas médias regularmente.

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Anuvia

Engenharia sênior em Cloud, IA e Plataforma

Ex-AWS · Ex-Google · Ex-MongoDB · 15× AWS-certified · GCP-certified. Entregamos sistemas em produção com rollback documentado, eval harness e teto de custo medido por workload.